Entre fronteiras e ausências: educação, ciência e tecnologia para a sustentabilidade social em municípios sem autonomia fiscal na Amazônia Setentrional
Resumo
Este artigo teórico investiga as tensões e possibilidades emergentes da interseção entre ciência, tecnologia e educação para a promoção da sustentabilidade social em contextos periféricos. A pesquisa parte do seguinte problema: como integrar conhecimento científico-tecnológico e saberes locais em municípios sem autonomia fiscal situados em regiões de fronteira, fluxos migratórios intensos e presença de áreas de preservação indígena? O estudo tem como objetivo geral analisar as contribuições da educação científica e tecnológica para a sustentabilidade social em municípios com fragilidade fiscal na Amazônia Setentrional. Os objetivos específicos são: (i) analisar as tensões entre racionalidade técnica e racionalidades substantivas nas políticas de inclusão tecnológica; (ii) investigar a reorientação da educação científica para incorporar princípios de justiça cognitiva e valorização dos saberes locais; e (iii) compreender os limites e potencialidades das políticas de conectividade escolar em territórios de fronteira. Adota-se a análise de conteúdo com enfoque hermenêutico como abordagem metodológica, fundamentada em Bardin e Gamboa, permitindo a interpretação dos sentidos atribuídos pelos atores sociais às políticas educacionais e tecnológicas. Os resultados apontam para a necessidade de superar modelos tecnocráticos de inovação, propondo uma educação científica e tecnológica enraizada nas realidades locais, capaz de articular reconhecimento cultural, autonomia comunitária e sustentabilidade social. A principal contribuição do estudo reside na proposição de um protocolo hermenêutico para análise de políticas educacionais em contextos periféricos, oferecendo instrumentos teóricometodológicos para pesquisadores e gestores públicos.